Lei Libras 05

Decreto Lei de LIBRAS
(24 01 2006) – , Autoria de Ralph Augusto – Última Atualização: (24 01 2006)
Presidência da RepúblicaCasa CivilSubchefia para Assuntos Jurídicos
DECRETO Nº 5.626, DE 22 DE DEZEMBRO DE 2005.
Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais –
Libras, e o art. 18
da Lei no 10.098, de 19 de dezembro de 2000.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da
Constituição, e tendo em
vista o disposto na Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e no art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro
de 2000,
DECRETA:
CAPÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
Art. 1o Este Decreto regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, e o art. 18 da Lei no 10.098, de
19 de
dezembro de 2000.
Art. 2o Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda auditiva,
compreende e interage
com o mundo por meio de experiências visuais, manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua
Brasileira
de Sinais – Libras.
Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um
decibéis (dB)
ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.
CAPÍTULO II
DA INCLUSÃO DA LIBRAS COMO DISCIPLINA CURRICULAR
Art. 3o A Libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de formação de
professores para o
exercício do magistério, em nível médio e superior, e nos cursos de Fonoaudiologia, de instituições de
ensino, públicas e
privadas, do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios.
§ 1o Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível médio,
o curso
normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são considerados cursos de
formação de
professores e profissionais da educação para o exercício do magistério.
§ 2o A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação superior e na
educação
profissional, a partir de um ano da publicação deste Decreto.
CAPÍTULO III
DA FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE LIBRAS E DO INSTRUTOR DE LIBRAS
Art. 4o A formação de docentes para o ensino de Libras nas séries finais do ensino fundamental, no ensino
médio e na
educação superior deve ser realizada em nível superior, em curso de graduação de licenciatura plena em
Letras: Libras ou
em Letras: Libras/Língua Portuguesa como segunda língua.
Parágrafo único. As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.
Art. 5o A formação de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos anos iniciais do ensino
fundamental
deve ser realizada em curso de Pedagogia ou curso normal superior, em que Libras e Língua Portuguesa
escrita tenham
constituído línguas de instrução, viabilizando a formação bilíngüe.
§ 1o Admite-se como formação mínima de docentes para o ensino de Libras na educação infantil e nos
anos iniciais do
ensino fundamental, a formação ofertada em nível médio na modalidade normal, que viabilizar a formação
bilíngüe, referida
no caput.
§ 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.
Art. 6o A formação de instrutor de Libras, em nível médio, deve ser realizada por meio de:
I – cursos de educação profissional;
II – cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior; e
III – cursos de formação continuada promovidos por instituições credenciadas por secretarias de educação.
§ 1o A formação do instrutor de Libras pode ser realizada também por organizações da sociedade civil
representativa da
comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por pelo menos uma das instituições referidas
nos incisos II
e III.
§ 2o As pessoas surdas terão prioridade nos cursos de formação previstos no caput.
Art. 7o Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja docente com título de
pós-graduação ou graduação em Libras para o ensino dessa disciplina em cursos de educação superior, ela
poderá ser ministrada por
profissionais que apresentem pelo menos um dos seguintes perfis:
I – professor de Libras, usuário dessa língua com curso de pós-graduação ou com formação superior e
certificado de
proficiência em Libras, obtido por meio de exame promovido pelo Ministério da Educação;
II – instrutor de Libras, usuário dessa língua com formação de nível médio e com certificado obtido por meio
de exame de
proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação;
III – professor ouvinte bilíngüe: Libras – Língua Portuguesa, com pós-graduação ou formação superior e com
certificado obtido
por meio de exame de proficiência em Libras, promovido pelo Ministério da Educação.
§ 1o Nos casos previstos nos incisos I e II, as pessoas surdas terão prioridade para ministrar a disciplina de
Libras.
§ 2o A partir de um ano da publicação deste Decreto, os sistemas e as instituições de ensino da educação
básica e as de
educação superior devem incluir o professor de Libras em seu quadro do magistério.
Art. 8o O exame de proficiência em Libras, referido no art. 7o, deve avaliar a fluência no uso, o
conhecimento e a
competência para o ensino dessa língua.
§ 1o O exame de proficiência em Libras deve ser promovido, anualmente, pelo Ministério da Educação e
instituições de
educação superior por ele credenciadas para essa finalidade.
§ 2o A certificação de proficiência em Libras habilitará o instrutor ou o professor para a função docente.
§ 3o O exame de proficiência em Libras deve ser realizado por banca examinadora de amplo conhecimento
em Libras,
constituída por docentes surdos e lingüistas de instituições de educação superior.
Art. 9o A partir da publicação deste Decreto, as instituições de ensino médio que oferecem cursos de
formação para o
magistério na modalidade normal e as instituições de educação superior que oferecem cursos de
Fonoaudiologia ou de
formação de professores devem incluir Libras como disciplina curricular, nos seguintes prazos e percentuais
mínimos:
I – até três anos, em vinte por cento dos cursos da instituição;
II – até cinco anos, em sessenta por cento dos cursos da instituição;
III – até sete anos, em oitenta por cento dos cursos da instituição; e
IV – dez anos, em cem por cento dos cursos da instituição.
Parágrafo único. O processo de inclusão da Libras como disciplina curricular deve iniciar-se nos cursos de
Educação
Especial, Fonoaudiologia, Pedagogia e Letras, ampliando-se progressivamente para as demais
licenciaturas.
Art. 10. As instituições de educação superior devem incluir a Libras como objeto de ensino, pesquisa e
extensão nos cursos
de formação de professores para a educação básica, nos cursos de Fonoaudiologia e nos cursos de
Tradução e
Interpretação de Libras – Língua Portuguesa.
Art. 11. O Ministério da Educação promoverá, a partir da publicação deste Decreto, programas específicos
para a criação de
cursos de graduação:
I – para formação de professores surdos e ouvintes, para a educação infantil e anos iniciais do ensino
fundamental, que
viabilize a educação bilíngüe: Libras – Língua Portuguesa como segunda língua;
II – de licenciatura em Letras: Libras ou em Letras: Libras/Língua Portuguesa, como segunda língua para
surdos;
III – de formação em Tradução e Interpretação de Libras – Língua Portuguesa.
Art. 12. As instituições de educação superior, principalmente as que ofertam cursos de Educação Especial,
Pedagogia e
Letras, devem viabilizar cursos de pós-graduação para a formação de professores para o ensino de Libras e
sua
interpretação, a partir de um ano da publicação deste Decreto.
Art. 13. O ensino da modalidade escrita da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas,
deve ser
incluído como disciplina curricular nos cursos de formação de professores para a educação infantil e para os
anos iniciais
do ensino fundamental, de nível médio e superior, bem como nos cursos de licenciatura em Letras com
habilitação em
Língua Portuguesa.
Parágrafo único. O tema sobre a modalidade escrita da língua portuguesa para surdos deve ser incluído
como
conteúdo nos cursos de Fonoaudiologia.
CAPÍTULO IV
DO USO E DA DIFUSÃO DA LIBRAS E DA LÍNGUA PORTUGUESA PARA O
ACESSO DAS PESSOAS SURDAS À EDUCAÇÃO
Art. 14. As instituições federais de ensino devem garantir, obrigatoriamente, às pessoas surdas acesso à
comunicação, à
informação e à educação nos processos seletivos, nas atividades e nos conteúdos curriculares
desenvolvidos em todos os
níveis, etapas e modalidades de educação, desde a educação infantil até à superior.
§ 1o Para garantir o atendimento educacional especializado e o acesso previsto no caput, as instituições
federais de
ensino devem:
I – promover cursos de formação de professores para:
a) o ensino e uso da Libras;
b) a tradução e interpretação de Libras – Língua Portuguesa; e
c) o ensino da Língua Portuguesa, como segunda língua para pessoas surdas;
II – ofertar, obrigatoriamente, desde a educação infantil, o ensino da Libras e também da Língua Portuguesa,
como
segunda língua para alunos surdos;
III – prover as escolas com:
a) professor de Libras ou instrutor de Libras;
b) tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa;
c) professor para o ensino de Língua Portuguesa como segunda língua para pessoas surdas; e
d) professor regente de classe com conhecimento acerca da singularidade lingüística manifestada pelos
alunos surdos;
IV – garantir o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos surdos, desde a educação
infantil, nas salas
de aula e, também, em salas de recursos, em turno contrário ao da escolarização;
V – apoiar, na comunidade escolar, o uso e a difusão de Libras entre professores, alunos, funcionários,
direção da escola
e familiares, inclusive por meio da oferta de cursos;
VI – adotar mecanismos de avaliação coerentes com aprendizado de segunda língua, na correção das
provas escritas,
valorizando o aspecto semântico e reconhecendo a singularidade lingüística manifestada no aspecto formal
da Língua
Portuguesa;
VII – desenvolver e adotar mecanismos alternativos para a avaliação de conhecimentos expressos em
Libras, desde que
devidamente registrados em vídeo ou em outros meios eletrônicos e tecnológicos;
VIII – disponibilizar equipamentos, acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, bem como
recursos didáticos
para apoiar a educação de alunos surdos ou com deficiência auditiva.
§ 2o O professor da educação básica, bilíngüe, aprovado em exame de proficiência em tradução e
interpretação de Libras Língua Portuguesa, pode exercer a função de tradutor e intérprete de Libras –
Língua Portuguesa, cuja função é distinta da
função de professor docente.
§ 3o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito
Federal
buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar atendimento educacional
especializado aos alunos surdos ou com deficiência auditiva.
Art. 15. Para complementar o currículo da base nacional comum, o ensino de Libras e o ensino da
modalidade escrita da
Língua Portuguesa, como segunda língua para alunos surdos, devem ser ministrados em uma perspectiva
dialógica,
funcional e instrumental, como:
I – atividades ou complementação curricular específica na educação infantil e anos iniciais do ensino
fundamental; e
II – áreas de conhecimento, como disciplinas curriculares, nos anos finais do ensino fundamental, no ensino
médio e na
educação superior.
Art. 16. A modalidade oral da Língua Portuguesa, na educação básica, deve ser ofertada aos alunos surdos
ou com
deficiência auditiva, preferencialmente em turno distinto ao da escolarização, por meio de ações integradas
entre as
áreas da saúde e da educação, resguardado o direito de opção da família ou do próprio aluno por essa
modalidade.
Parágrafo único. A definição de espaço para o desenvolvimento da modalidade oral da Língua Portuguesa e
a definição dos
profissionais de Fonoaudiologia para atuação com alunos da educação básica são de competência dos
órgãos que
possuam estas atribuições nas unidades federadas.
CAPÍTULO V
DA FORMAÇÃO DO TRADUTOR E INTÉRPRETE DE LIBRAS – LÍNGUA PORTUGUESA
Art. 17. A formação do tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa deve efetivar-se por meio de
curso superior de
Tradução e Interpretação, com habilitação em Libras – Língua Portuguesa.
Art. 18. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, a formação de tradutor e intérprete de
Libras – Língua
Portuguesa, em nível médio, deve ser realizada por meio de:
I – cursos de educação profissional;
II – cursos de extensão universitária; e
III – cursos de formação continuada promovidos por instituições de ensino superior e instituições
credenciadas por secretarias
de educação.
Parágrafo único. A formação de tradutor e intérprete de Libras pode ser realizada por organizações da
sociedade civil
representativas da comunidade surda, desde que o certificado seja convalidado por uma das instituições
referidas no
inciso III.
Art. 19. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, caso não haja pessoas com a
titulação exigida para exercício da tradução e interpretação de Libras – Língua Portuguesa, as instituições
federais de ensino devem incluir, em seus
quadros, profissionais com o seguinte perfil:
I – profissional ouvinte, de nível superior, com competência e fluência em Libras para realizar a interpretação
das duas
línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de proficiência, promovido pelo
Ministério da
Educação, para atuação em instituições de ensino médio e de educação superior;
II – profissional ouvinte, de nível médio, com competência e fluência em Libras para realizar a interpretação
das duas
línguas, de maneira simultânea e consecutiva, e com aprovação em exame de proficiência, promovido pelo
Ministério da
Educação, para atuação no ensino fundamental;
III – profissional surdo, com competência para realizar a interpretação de línguas de sinais de outros países
para a Libras,
para atuação em cursos e eventos.
Parágrafo único. As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e
do Distrito
Federal buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos
surdos ou com
deficiência auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.
Art. 20. Nos próximos dez anos, a partir da publicação deste Decreto, o Ministério da Educação ou
instituições de ensino
superior por ele credenciadas para essa finalidade promoverão, anualmente, exame nacional de proficiência
em tradução
e interpretação de Libras – Língua Portuguesa.
Parágrafo único. O exame de proficiência em tradução e interpretação de Libras – Língua Portuguesa deve
ser realizado
por banca examinadora de amplo conhecimento dessa função, constituída por docentes surdos, lingüistas e
tradutores e
intérpretes de Libras de instituições de educação superior.
Art. 21. A partir de um ano da publicação deste Decreto, as instituições federais de ensino da educação
básica e da educação
superior devem incluir, em seus quadros, em todos os níveis, etapas e modalidades, o tradutor e intérprete
de Libras –
Língua Portuguesa, para viabilizar o acesso à comunicação, à informação e à educação de alunos surdos.
§ 1o O profissional a que se refere o caput atuará:
I – nos processos seletivos para cursos na instituição de ensino;
II – nas salas de aula para viabilizar o acesso dos alunos aos conhecimentos e conteúdos curriculares, em
todas as
atividades didático-pedagógicas; e
III – no apoio à acessibilidade aos serviços e às atividades-fim da instituição de ensino.
§ 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito
Federal
buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com
deficiência
auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.
CAPÍTULO VI
DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS SURDAS OU
COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Art. 22. As instituições federais de ensino responsáveis pela educação básica devem garantir a inclusão de
alunos surdos
ou com deficiência auditiva, por meio da organização de:
I – escolas e classes de educação bilíngüe, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngües,
na educação infantil
e nos anos iniciais do ensino fundamental;
II – escolas bilíngües ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes,
para os anos finais
do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do
conhecimento,
cientes da singularidade lingüística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e
intérpretes de Libras –
Língua Portuguesa.
§ 1o São denominadas escolas ou classes de educação bilíngüe aquelas em que a Libras e a modalidade
escrita da Língua
Portuguesa sejam línguas de instrução utilizadas no desenvolvimento de todo o processo educativo.
§ 2o Os alunos têm o direito à escolarização em um turno diferenciado ao do atendimento educacional
especializado para
o desenvolvimento de complementação curricular, com utilização de equipamentos e tecnologias de
informação.
§ 3o As mudanças decorrentes da implementação dos incisos I e II implicam a formalização, pelos pais e
pelos próprios
alunos, de sua opção ou preferência pela educação sem o uso de Libras.
§ 4o O disposto no § 2o deste artigo deve ser garantido também para os alunos não usuários da Libras.
Art. 23. As instituições federais de ensino, de educação básica e superior, devem proporcionar aos alunos
surdos os
serviços de tradutor e intérprete de Libras – Língua Portuguesa em sala de aula e em outros espaços
educacionais, bem
como equipamentos e tecnologias que viabilizem o acesso à comunicação, à informação e à educação.
§ 1o Deve ser proporcionado aos professores acesso à literatura e informações sobre a especificidade
lingüística do aluno
surdo.
§ 2o As instituições privadas e as públicas dos sistemas de ensino federal, estadual, municipal e do Distrito
Federal
buscarão implementar as medidas referidas neste artigo como meio de assegurar aos alunos surdos ou com
deficiência
auditiva o acesso à comunicação, à informação e à educação.
Art. 24. A programação visual dos cursos de nível médio e superior, preferencialmente os de formação de
professores, na
modalidade de educação a distância, deve dispor de sistemas de acesso à informação como janela com
tradutor e intérprete
de Libras – Língua Portuguesa e subtitulação por meio do sistema de legenda oculta, de modo a reproduzir
as mensagens
veiculadas às pessoas surdas, conforme prevê o Decreto no 5.296, de 2 de dezembro de 2004.
CAPÍTULO VII
DA GARANTIA DO DIREITO À SAÚDE DAS PESSOAS SURDAS OU
COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA
Art. 25. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Sistema Único de Saúde – SUS e as empresas
que detêm
concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, na perspectiva da inclusão plena das
pessoas
surdas ou com deficiência auditiva em todas as esferas da vida social, devem garantir, prioritariamente aos
alunos
matriculados nas redes de ensino da educação básica, a atenção integral à sua saúde, nos diversos níveis
de
complexidade e especialidades médicas, efetivando:
I – ações de prevenção e desenvolvimento de programas de saúde auditiva;
II – tratamento clínico e atendimento especializado, respeitando as especificidades de cada caso;
III – realização de diagnóstico, atendimento precoce e do encaminhamento para a área de educação;
IV – seleção, adaptação e fornecimento de prótese auditiva ou aparelho de amplificação sonora, quando
indicado;
V – acompanhamento médico e fonoaudiológico e terapia fonoaudiológica;
VI – atendimento em reabilitação por equipe multiprofissional;
VII – atendimento fonoaudiológico às crianças, adolescentes e jovens matriculados na educação básica, por
meio de ações
integradas com a área da educação, de acordo com as necessidades terapêuticas do aluno;
VIII – orientações à família sobre as implicações da surdez e sobre a importância para a criança com perda
auditiva ter, desde
seu nascimento, acesso à Libras e à Língua Portuguesa;
IX – atendimento às pessoas surdas ou com deficiência auditiva na rede de serviços do SUS e das
empresas que detêm
concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde, por profissionais capacitados para o
uso de Libras
ou para sua tradução e interpretação; e
X – apoio à capacitação e formação de profissionais da rede de serviços do SUS para o uso de Libras e sua
tradução e
interpretação.
§ 1o O disposto neste artigo deve ser garantido também para os alunos surdos ou com deficiência auditiva
não
usuários da Libras.
§ 2o O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal, do Distrito Federal e as
empresas privadas
que detêm autorização, concessão ou permissão de serviços públicos de assistência à saúde buscarão
implementar as
medidas referidas no art. 3o da Lei no 10.436, de 2002, como meio de assegurar, prioritariamente, aos
alunos surdos ou
com deficiência auditiva matriculados nas redes de ensino da educação básica, a atenção integral à sua
saúde, nos
diversos níveis de complexidade e especialidades médicas.
CAPÍTULO VIII
DO PAPEL DO PODER PÚBLICO E DAS EMPRESAS QUE DETÊM CONCESSÃO OU PERMISSÃO DE
SERVIÇOS
PÚBLICOS, NO APOIO AO USO E DIFUSÃO DA LIBRAS
Art. 26. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Poder Público, as empresas concessionárias de
serviços
públicos e os órgãos da administração pública federal, direta e indireta devem garantir às pessoas surdas o
tratamento
diferenciado, por meio do uso e difusão de Libras e da tradução e interpretação de Libras – Língua
Portuguesa, realizados por
servidores e empregados capacitados para essa função, bem como o acesso às tecnologias de informação,
conforme
prevê o Decreto no 5.296, de 2004.
§ 1o As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento de servidores,
funcionários e
empregados capacitados para o uso e interpretação da Libras.
§ 2o O Poder Público, os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito Federal, e as
empresas
privadas que detêm concessão ou permissão de serviços públicos buscarão implementar as medidas
referidas neste
artigo como meio de assegurar às pessoas surdas ou com deficiência auditiva o tratamento diferenciado,
previsto no
caput.
Art. 27. No âmbito da administração pública federal, direta e indireta, bem como das empresas que detêm
concessão e
permissão de serviços públicos federais, os serviços prestados por servidores e empregados capacitados
para utilizar a
Libras e realizar a tradução e interpretação de Libras – Língua Portuguesa estão sujeitos a padrões de
controle de
atendimento e a avaliação da satisfação do usuário dos serviços públicos, sob a coordenação da Secretaria
de Gestão do
Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, em conformidade com o Decreto no 3.507, de 13 de
junho de 2000.
Parágrafo único. Caberá à administração pública no âmbito estadual, municipal e do Distrito Federal
disciplinar, em
regulamento próprio, os padrões de controle do atendimento e avaliação da satisfação do usuário dos
serviços públicos,
referido no caput.
CAPÍTULO IX
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS
Art. 28. Os órgãos da administração pública federal, direta e indireta, devem incluir em seus orçamentos
anuais e
plurianuais dotações destinadas a viabilizar ações previstas neste Decreto, prioritariamente as relativas à
formação, capacitação
e qualificação de professores, servidores e empregados para o uso e difusão da Libras e à realização da
tradução e
interpretação de Libras – Língua Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.
Art. 29. O Distrito Federal, os Estados e os Municípios, no âmbito de suas competências, definirão os
instrumentos para a
efetiva implantação e o controle do uso e difusão de Libras e de sua tradução e interpretação, referidos nos
dispositivos
deste Decreto.
Art. 30. Os órgãos da administração pública estadual, municipal e do Distrito Federal, direta e indireta,
viabilizarão as ações
previstas neste Decreto com dotações específicas em seus orçamentos anuais e plurianuais,
prioritariamente as relativas à
formação, capacitação e qualificação de professores, servidores e empregados para o uso e difusão da
Libras e à realização da
tradução e interpretação de Libras – Língua Portuguesa, a partir de um ano da publicação deste Decreto.
Art. 31. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Brasília, 22 de dezembro de 2005; 184o da Independência e 117o da República.
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVAFernando Haddad
Este texto não substitui o publicado no DOU de 23.12.2005





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